De volta a araduca

 



Já não há mais Memórias de Araduca?

Esta é uma pergunta, com diferentes formulações, a que tenho respondido muitas vezes, nos últimos tempos. Haverá, é a resposta que, invariavelmente dou a quem mo pergunta.

Direi que as Memórias de Araduca, que comecei a desfiar em 2007, viveram uma crise de crescimento, num tempo cada vez mais adverso para os blogues pessoais. A emergência dos jardins murados (walled gardens), do Facebook e da Twitter passaram a centralizar o espaço de debate na internet, democratizando-o, conduzindo-o e manipulando-o. O algoritmo matou a diversidade: de repente, estávamos a ler apenas aqueles que concordavam connosco. A instantaneidade, a cultura do “agora e já” e do texto curto substituíram a reflexão longa, estruturada, partilhada e aberta à dissonância no debate de ideias. A transição massiva da cultura do texto para a cultura da imagem e do vídeo está a formatar uma sociedade obcecada com a imagem e com o consumo imediato e a matar a vontade de ler. O texto, quando escrito e quando lido, exige esforço cognitivo. Uma trabalheira… O blogar por prazer e gosto de partilha perdeu espaço para o marketing de conteúdos e “influenciadores digitais” focados em “monetização”.

Um dia, chamaram-me influencer e disseram que podia ganhar “bom dinheiro” com o meu blogue. Foi nesse momento que decidi saltar fora das redes, que, além do mais, se iam convertendo em chiqueiros onde se praticava a luta na lama.

Resolvi criar um espaço que pudesse controlar integralmente, destinado a quem o queira ler, sem condicionamentos algorítmicos.

Começa aqui.

As Memórias de Araduca de Araduca deixaram de ser um blogue. Agora são, digamos assim, um projecto, com uma webpage (araduca.pt) e um blogue (o mesmo de antes, agora com outro endereço: blog.araduca.pt). Tudo o que foi publicado antes, continua disponível. O blogue continuará a ser actualizado e estará, também disponível na página da Internet, onde, em vez de conteúdos organizados sequencialmente, segundo as datas de publicação, obrigando a uma leitura em cronologia reversa, estão criados espaços temáticos, onde serão, naturalmente, tratados os assuntos que são a razão de ser destas Memórias, mas organizados de um modo sistemático e de consulta mais intuitiva.

Não tenho como o negar: este é um projecto ambicioso, construído integralmente a duas mãos, as minhas. Mais adiante, abrir-se-á a outros contributos.

Aqui fica um convite: dê uma volta por esta Araduca e diga qualquer coisa.


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